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Expedição ao Delta do S.Francisco

O Rio São Francisco é um importante curso d’água brasileiro e considerado como o rio de integração nacional, já que nasce no estado de Minhas Gerais e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre os estados de Sergipe e Alagoas. Durante os mais de 2800km de seu curso banha inúmeras cidades dos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.  Além de toda importância social, o “Velho Chico”, como o rio é chamado carinhosamente pelas populações ribeirinhas apresenta aspectos geológicos e sedimentares importantes. 

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Um dos episódios mais curiosos trata-se da destruição da antiga Vila do Cabeço que se situava próxima a foz do Rio e que sucumbiu à força das águas do mar. O antigo Farol do Cabeço (que antes era em terra) ainda se encontra lá como testemunha da dinâmica existente na foz do rio. Entretanto esta  parcialmente coberto pelas águas. 

Levantamento com georadar

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PERFILADOR DE SUB-FUNDO

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Em janeiro e fevereiro de 2012 integrantes do LEC (Laboratório de Estudos Costeiros) realizaram um levantamento de campo do delta do rio São Francisco para melhor compreender a dinâmica desse delta. Foi realizado um levantamento utilizando-se um GPR (Ground-Penetrating Radar) que é um radar de penetração no solo, usado na aquisição de dados em áreas emersas.

Também houve coleta de amostras de sedimento superficial realizada nos últimos 15 km do Rio, onde foi usada um busca fundo. O levantamento dos dados se extendeu até o pro-delta do rio São Francisco onde foram realizados levantamentos sísmicos de alta resolução com um perfilador de sub-fundo (Sub-Bottom Profiler). Além disto foram realizados mergulhos para a obtenção de testemunhos dos sedimentos prodeltáicos.

TEStemunhos coletados

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Ao todo a campanha durou 20 dias, sendo 15 dias em janeiro e 5 dias em fevereiro. Período no qual pudemos experimentar a importância do trabalho de campo e, sobretudo da necessidade de um bom planejamento de campo. E o quão é imprescindível a perseverança do pesquisador pois nem sempre as condições de trabalho são ideais ou até mesmo adequadas.      


                     

                                                                              Marcelo Caetano e Adeylan Nascimento                

Expedição à Elevação do Rio Grande 2

A Elevação do Rio Grande é um alto assísmico localizado além da plataforma continental jurídica brasileira, na área  internacional marinha(AREA). O Programa Elevação do Rio Grande (PROERG)  da Marinha do Brasil em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) foi criado com o objetivo de pesquisar a potenciabilidade mineral da região como também obter um maior conhecimento da área para fins biológicos, econômicos e geológicos.

A  4ª expedição foi realizada no período de  14/12/11 a 18/01/2012 no  navio  de pesquisa hidrográfico  M.V Fugro Gauss (1980, Gibraltar) da empresa multinacional FUGRO. A embarcação possui 69 metros de comprimento, velocidade máxima de  12 nós, produção de 5m² de água doce por dia, estabilizadores, arco de popa, guindaste central, guinchos, autonomia de 45 dias de pesquisa, academia de ginástica, sauna e cabines individuais e duplas.

embarque paloma

Esta 4ª pernada do PROERG teve como principal função o mapeamento geofísico da área a ser estudada. É necessário que antes de qualquer amostragem se tenha algumas informações como a batimetria e o tipo de fundo pois assim é possível saber qual o equipamento mais adequado para a amostragem do fundo. Além dos levantamentos geofísicos com a sonda monofeixe, ecobatimetro multifeixe, sonar de varredura lateral e sub-bottom, foram feitos alguns testes com as dragas de arrasto e o TVGrab (draga hidráulica que possui uma câmera para identificar o tipo de fundo antes de fazer a coleta) para saber como cada equipamento funciona e  assim otimizar o trabalho da expedição seguinte que tem como objetivo principal  a amostragem.

TV-GRAB

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Ao final do mapeamento geofísico de cada subárea foi utilizado a Rosete-CTD, estrutura com 12 garrafas para a coleta de água. Esta é coletada em diferentes  profundidades e armazenada em recipientes de acordo com o objetivo da análise  e então congeladas. O CTD é um equipamento utilizado para identificar  em tempo real a condutividade, temperatura e profundidade através de um perfil no seu próprio software.  Nestes perfis podemos identificar algumas propriedades físico-química da água do mar como por exemplo a camada de oxigênio mínimo e assim acionar uma garrafa para a coleta de água nessa camada se esse for o objetivo.

Durante a navegação foram  utilizados equipamentos descartáveis como o XBT  que mede a temperatura e profundidade . Estes parâmetros são medidos em tempo real e enviados para o software através de um fio de cobre e quando este é partido interrompe o recebimento dos dados. O magnetometro também foi utilizado durante a navegação medindo a intensidade, direção e sentido de um campo magnético.Este ficava na água preso num cabo a uma certa distância para que não houvesse interferência do navio.

Uma experiência embarcada é essencial para a formação do Oceanógrafo pois assim é possível  executar o aprendizado que se obtém em sala de aula como também prover conhecimentos que só poderiam ser  obtidos no campo. Nesse embarque estive em contato com 31 pessoas de várias partes do mundo (Indonésia, Filipinas, Rússia, Alemanha e Brasil) pessoas estas que trabalham embarcadas há anos  e em diversas áreas de pesquisa como geologia, hidrografia, navegação e marinharia. Com elas pude trocar experiências e aprendizados e  com este embarque pude me tornar uma melhor profissional e reafirmar a minha paixão pelo oceano.

Assim para mim Paloma estudante de oceanografia e apaixonada pelo mar  passar  Natal e Ano Novo embarcada não foi muito difícil, apesar  da aflição antes do embarque da família e amigos por estar "sozinha" nessa época do ano e por um período grande, ouvi dos mesmos palavras de conforto pois eles sabiam que ficaria bem e estaria no lugar que mais amo, o mar.

 

                                                                                                                                 Paloma Avena

Expedição à Elevação do Rio Grande


fugro-Gauss

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Draga e TV-Grab

Draga e TV-Grab

No período 23 de janeiro a 20 de fevereiro de 2012 tive a oportunidade de participar de um embarque do programa ProErg , que tem por objetivo identificar os recursos minerais de valor econômico na Elevação do Rio Grande , localizada no Atlântico Sul. Como se trata de uma área muito extensa, cerca de 95.000 km², tem sido necessário várias expedições tendo sido esta a quinta até então realizada.

O navio desta pernada foi o Fugro-Gauss, um navio alemão de pesquisa “off-shore”, equipado para levantamentos geofísicos e  geotécnicos. Possui  70m de comprimento por 13m de largura, com 81 m² de área de deck.  Os principais equipamentos instalados a bordo são: Echo Sounder (Batimetria Monofeixe), Multibeam Echo Sounder (Batimetria Multifeixe), Sonar de Varredura Lateral, Sub-Bottom Profiler, Cone de Penetração, Magnetômetro, TV-Grab, Draga de Amostragem de Rocha, ADCP e CTD, além de equipamentos de posicionamento.

A divisão da geologia da qual eu fazia parte era responsável por acompanhar os vídeos feitos pelo TV-Grab e coleta do material que  nele vinha. O TV-Grab foi também utilizado durante a navegação entre pontos de coleta e dragagem.

TV-Grab

TV-Grab

Com relação à coleta com o TV-Grab, a mesma não foi muito eficiente em locais em que a crosta cobaltífera era continua e sim naqueles locais onde havia uma quantidade expressiva de sedimento, o que permitia a penetração das garras do equipamento, trazendo algumas vezes, fragmentos de crosta . O equipamento mais eficaz nas amostragens foi a draga de arrasto. Nela chegavam de 5 kg a 2 toneladas de rochas, além de material biológico como esponjas, corais, crustáceos e inclusive animais incrustantes.

Após a coleta do material, era feita a descrição da rocha incluindo sua textura superficial e interna. Também era separado material para análise geoquímica, este era primeiramente moído em graal de ágata antes de ser etiquetado. Após serem descritas, as amostras eram guardadas em caixas/tonéis devidamente identificadas. Esse processo de identificação é importante para o posterior manuseio em laboratório do material coletado em campo.

Foram ainda utilizados equipamentos do tipo ADCP, e rosete-CTD compostos de 12 garrafas para coleta de amostras de água a diferentes profundidades. O CTD fornecia dados de condutividade, salinidade e profundidade e o ADCP dados das correntes. Após tratados estes dados, permitiam observar o comportamento da Salinidade, Temperatura, e Densidade da água do mar.

Nessa pernada os trabalhos foram divididos em turnos de 12h, das 6 da manhã às 18 da tarde e vice-versa. O meu turno foi o da noite (18h-6h) e era composto de duas pessoas da área de  Geologia, uma de Biologia e outra para análise química de água. Trabalhar no escuro, apenas com auxilio de lanternas e lampadas não contribui muitas vezes para uma ótima visualização do que foi coletado, no entanto, conseguimos contornar esse empecilho.

Draga após coleta

Draga após coleta

Pessoalmente, esta experiência representou um grande aprendizado para mim, da realidade do trabalho embarcado, dos sucessos  e também das dificuldades. Adquiri uma compreensão muito boa das condições e dos métodos de coleta de dados geológicos e oceanográficos no mar. Além dos obstáculos naturais do trabalho, foi fundamental também otimizar o tempo que gasto nos diferentes procedimentos, tendo em vista os altos custos envolvidos.

 

Camila Souza

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Depois de muito protelar tomei coragem e resolvi colocar no  ar uma home-page mais atualizada de nosso grupo de pesquisa. A idéia é também disponibilizar para download os trabalhos mais recentes publicados pelo Grupo.