Expedição à Elevação do Rio Grande 2

A Elevação do Rio Grande é um alto assísmico localizado além da plataforma continental jurídica brasileira, na área  internacional marinha(AREA). O Programa Elevação do Rio Grande (PROERG)  da Marinha do Brasil em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) foi criado com o objetivo de pesquisar a potenciabilidade mineral da região como também obter um maior conhecimento da área para fins biológicos, econômicos e geológicos.

A  4ª expedição foi realizada no período de  14/12/11 a 18/01/2012 no  navio  de pesquisa hidrográfico  M.V Fugro Gauss (1980, Gibraltar) da empresa multinacional FUGRO. A embarcação possui 69 metros de comprimento, velocidade máxima de  12 nós, produção de 5m² de água doce por dia, estabilizadores, arco de popa, guindaste central, guinchos, autonomia de 45 dias de pesquisa, academia de ginástica, sauna e cabines individuais e duplas.

embarque paloma

Esta 4ª pernada do PROERG teve como principal função o mapeamento geofísico da área a ser estudada. É necessário que antes de qualquer amostragem se tenha algumas informações como a batimetria e o tipo de fundo pois assim é possível saber qual o equipamento mais adequado para a amostragem do fundo. Além dos levantamentos geofísicos com a sonda monofeixe, ecobatimetro multifeixe, sonar de varredura lateral e sub-bottom, foram feitos alguns testes com as dragas de arrasto e o TVGrab (draga hidráulica que possui uma câmera para identificar o tipo de fundo antes de fazer a coleta) para saber como cada equipamento funciona e  assim otimizar o trabalho da expedição seguinte que tem como objetivo principal  a amostragem.

TV-GRAB

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Ao final do mapeamento geofísico de cada subárea foi utilizado a Rosete-CTD, estrutura com 12 garrafas para a coleta de água. Esta é coletada em diferentes  profundidades e armazenada em recipientes de acordo com o objetivo da análise  e então congeladas. O CTD é um equipamento utilizado para identificar  em tempo real a condutividade, temperatura e profundidade através de um perfil no seu próprio software.  Nestes perfis podemos identificar algumas propriedades físico-química da água do mar como por exemplo a camada de oxigênio mínimo e assim acionar uma garrafa para a coleta de água nessa camada se esse for o objetivo.

Durante a navegação foram  utilizados equipamentos descartáveis como o XBT  que mede a temperatura e profundidade . Estes parâmetros são medidos em tempo real e enviados para o software através de um fio de cobre e quando este é partido interrompe o recebimento dos dados. O magnetometro também foi utilizado durante a navegação medindo a intensidade, direção e sentido de um campo magnético.Este ficava na água preso num cabo a uma certa distância para que não houvesse interferência do navio.

Uma experiência embarcada é essencial para a formação do Oceanógrafo pois assim é possível  executar o aprendizado que se obtém em sala de aula como também prover conhecimentos que só poderiam ser  obtidos no campo. Nesse embarque estive em contato com 31 pessoas de várias partes do mundo (Indonésia, Filipinas, Rússia, Alemanha e Brasil) pessoas estas que trabalham embarcadas há anos  e em diversas áreas de pesquisa como geologia, hidrografia, navegação e marinharia. Com elas pude trocar experiências e aprendizados e  com este embarque pude me tornar uma melhor profissional e reafirmar a minha paixão pelo oceano.

Assim para mim Paloma estudante de oceanografia e apaixonada pelo mar  passar  Natal e Ano Novo embarcada não foi muito difícil, apesar  da aflição antes do embarque da família e amigos por estar "sozinha" nessa época do ano e por um período grande, ouvi dos mesmos palavras de conforto pois eles sabiam que ficaria bem e estaria no lugar que mais amo, o mar.

 

                                                                                                                                 Paloma Avena