Expedição à Elevação do Rio Grande


fugro-Gauss

gauss byair stern450

Draga e TV-Grab

Draga e TV-Grab

No período 23 de janeiro a 20 de fevereiro de 2012 tive a oportunidade de participar de um embarque do programa ProErg , que tem por objetivo identificar os recursos minerais de valor econômico na Elevação do Rio Grande , localizada no Atlântico Sul. Como se trata de uma área muito extensa, cerca de 95.000 km², tem sido necessário várias expedições tendo sido esta a quinta até então realizada.

O navio desta pernada foi o Fugro-Gauss, um navio alemão de pesquisa “off-shore”, equipado para levantamentos geofísicos e  geotécnicos. Possui  70m de comprimento por 13m de largura, com 81 m² de área de deck.  Os principais equipamentos instalados a bordo são: Echo Sounder (Batimetria Monofeixe), Multibeam Echo Sounder (Batimetria Multifeixe), Sonar de Varredura Lateral, Sub-Bottom Profiler, Cone de Penetração, Magnetômetro, TV-Grab, Draga de Amostragem de Rocha, ADCP e CTD, além de equipamentos de posicionamento.

A divisão da geologia da qual eu fazia parte era responsável por acompanhar os vídeos feitos pelo TV-Grab e coleta do material que  nele vinha. O TV-Grab foi também utilizado durante a navegação entre pontos de coleta e dragagem.

TV-Grab

TV-Grab

Com relação à coleta com o TV-Grab, a mesma não foi muito eficiente em locais em que a crosta cobaltífera era continua e sim naqueles locais onde havia uma quantidade expressiva de sedimento, o que permitia a penetração das garras do equipamento, trazendo algumas vezes, fragmentos de crosta . O equipamento mais eficaz nas amostragens foi a draga de arrasto. Nela chegavam de 5 kg a 2 toneladas de rochas, além de material biológico como esponjas, corais, crustáceos e inclusive animais incrustantes.

Após a coleta do material, era feita a descrição da rocha incluindo sua textura superficial e interna. Também era separado material para análise geoquímica, este era primeiramente moído em graal de ágata antes de ser etiquetado. Após serem descritas, as amostras eram guardadas em caixas/tonéis devidamente identificadas. Esse processo de identificação é importante para o posterior manuseio em laboratório do material coletado em campo.

Foram ainda utilizados equipamentos do tipo ADCP, e rosete-CTD compostos de 12 garrafas para coleta de amostras de água a diferentes profundidades. O CTD fornecia dados de condutividade, salinidade e profundidade e o ADCP dados das correntes. Após tratados estes dados, permitiam observar o comportamento da Salinidade, Temperatura, e Densidade da água do mar.

Nessa pernada os trabalhos foram divididos em turnos de 12h, das 6 da manhã às 18 da tarde e vice-versa. O meu turno foi o da noite (18h-6h) e era composto de duas pessoas da área de  Geologia, uma de Biologia e outra para análise química de água. Trabalhar no escuro, apenas com auxilio de lanternas e lampadas não contribui muitas vezes para uma ótima visualização do que foi coletado, no entanto, conseguimos contornar esse empecilho.

Draga após coleta

Draga após coleta

Pessoalmente, esta experiência representou um grande aprendizado para mim, da realidade do trabalho embarcado, dos sucessos  e também das dificuldades. Adquiri uma compreensão muito boa das condições e dos métodos de coleta de dados geológicos e oceanográficos no mar. Além dos obstáculos naturais do trabalho, foi fundamental também otimizar o tempo que gasto nos diferentes procedimentos, tendo em vista os altos custos envolvidos.

 

Camila Souza